"Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?" (Fernando Pessoa)
Viver o amor incondicional nem sempre é tão poético e colorido, mas mesmo assim, é verdadeiro.
Nem sempre recebe-se, reconhece-se, é recompensado, nem sempre se é amado na mesma medida, nem sempre torna-te o grande amor depressa.
Incondicional talvez seja dar a cara pra bater, ficar assumidamente vulnerável a dores, machucados e descobertas nem sempre doces. É risco.
É compreender que algo dentro do coração é verdadeiro mesmo que a pessoa amada nunca o compreenda.
As vezes é não ter tantos motivos, ou motivo algum. É simplesmente amar.
Também pode ser uma (ou mais) noites em claro tentando entender porques. Esquecendo-se que porques de um amor de verdade nunca são claros.
Pode ser uma lágrima, um choro longo, um sorriso-máscara, uma necessidade de ter perto sem motivo aparente ou racional. É não esperar em troca, ou esperar e viver na espera sem desistir. Uma esperança doce, ás vezes em meio á realidades amargas.
É a disposição de permanecer por toda a vida, em qualquer situação e dizendo mil "eu te amos" sinceros.
Mesmo que em meio á dúvidas, uma sinceridade de um amor que tudo espera e suporta.
É o exugar o rosto, levantar-se e continuar.
Um dar demasiado, incansável e insistente.
É um telefone mudo e as vezes até mesmo um monólogo.
Mas ainda assim, não deixa de ser um amor, incondicional.
"Porque eu sei que é amor
Eu não peço nada em troca.
Porque eu sei que é amor
Eu não peço nenhuma prova.
Mesmo que você não esteja aqui
O amor está aqui, agora,
Mesmo que você tenha que partir
O amor não há de ir embora.
Eu sei que é pra sempre enquanto durar,
E eu peço somente o que eu puder dar.
Porque eu sei que é amor,
Sei que cada palavra importa.
Porque eu sei que é amor,
Sei que só há uma resposta.
Mesmo sem porquê eu te trago aqui,
O amor está aqui comigo.
Mesmo sem porquê eu te levo assim,
O amor está em mim mais vivo."
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Soneto a quatro-mãos
"Tudo de amor que existe em mim foi dado, tudo que fala em mim de amor foi dito.
Do nada, em mim o amor fez o infinito que por muito tornou-me escravizado.
Tão pródigo de amor fiquei coitado, tão fácil para amar fiquei proscrito.
Cada voto que fiz ergueu-se em grito contra o meu próprio dar demasiado.
Tenho dado de amor mais que coubesse nesse meu pobre coração humano.
Desse eterno amor meu antes não desse, pois se por tanto dar me fiz engano, melhor fora que desse e recebesse, para viver da vida o amor sem dano."
Do nada, em mim o amor fez o infinito que por muito tornou-me escravizado.
Tão pródigo de amor fiquei coitado, tão fácil para amar fiquei proscrito.
Cada voto que fiz ergueu-se em grito contra o meu próprio dar demasiado.
Tenho dado de amor mais que coubesse nesse meu pobre coração humano.
Desse eterno amor meu antes não desse, pois se por tanto dar me fiz engano, melhor fora que desse e recebesse, para viver da vida o amor sem dano."
Abstinência do Intenso

Sinto falta do intenso.
Eu não naci pro meia-boca, não nasci pra ser boneca de papel, não nasci pro pouco, pra rotina, pra falta de experiências, pra falta de histórias, pro normal, para disfarces, algemas, pra monotonia.
Não nasci pra ser mais uma. Não quero ser "uma", quero ser "a".
Amarrar alguém de espírito livre é deixar um corpo mascarado, uma alma aflita e uma mente em mil sonhos além das cordas.
Eu sempre necessitei e tive sede por tudo que me convida mais ao intenso, ao livre.
Eu olho para as bonecas semi-vivas, padrões de perfeição para muitos, e me canso só de observar, e não sei como conseguem ter felicidade. Talvez por nunca terem ousado, libertado-se, provado de mãos livres. Talvez a última coisa que eu queira é ser uma dessas.
Eu convido ao extremo, á anti-monotonia, ao profundo, ao verdadeiro, essa é minha proposta. Mas não são todos que encorajam-se a viver com um sabor mais forte, real. É tão mais fácil (ou aparentemente fácil) viver na matriz, nos moldes, é tão menos arriscado.
Eu sempre tive pavor de viver uma vida sem riscos.
Quero rir, falar, viver, dançar, amar, me movimentar, ser de verdade.
Que nem uma criança que precisa de cair, machucar, sujar as roupas e descabelar-se, para que então, tenha uma verdadeira infância. Nada que um curativo e sabão em pó não façam depois. Eu quero é ter histórias pra contar, e não qualquer história, quero aquilo que me cause algum sentimento forte ao lembrar.
Quem quiser viver comigo não pode ter medo de viver de verdade, de se arriscar, de intensidade, de viver o fora do comum. Convido ao diferente, ao não provado, á algo com sabor.
Imagine uma marionete presa á cordas, com alguem que controla cada movimento, manipulando, impedindo de ter vida própria. Mas ali ela está segura, com a sensação que aquelas cordas seguram, e transmitem aquela falsa segurança que todo contole excessivo transmite. E o medo, o medo do risco de pegar uma tesoura e acabar de vez com aquelas amarras.
Viver comigo é simples, é só cortar as cordas.
"Quem já passou por essa vida e não viveu,
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu,
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu.
Quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada não.
Nao há mal pior do que a descrença, mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão.
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair!
Pra que somar se a gente pode dividir?
Eu francamente já não quero nem saber de quem não vai porque tem medo de sofrer.
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão."
(Vinícius de Moraes, Como Dizia o Poeta)
"A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.
A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo,
o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.
O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se,
o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre."
(Vinícius de Moraes)
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Caixas
"Vire essa folha do livro e se esqueça de mim,
Finja que o amor acabou e se esqueça de mim.
Você não compreendeu que o ciúme é um mal de raiz
E que ter medo de amar não faz ninguém feliz.
Agora vá sua vida como você quer,
Porém, não se surpreenda se um outro qualquer
Nascer de mim, como do deserto uma flor
E compreender que o ciúme é o perfume do amor..."
(Vinícius de Moraes)
***Essa é uma letra que só é bem formada junto á melodia, vale a pena escutar, muda totalmente o sentido dela.
Bom saber que tudo na minha vida me deixaram intensas histórias.
Tem história que hoje, com carinho, saudosismo e com um ponto final, eu consigo guardar em uma caixa vermelha e dexa-las lá, como memórias que com prazer, contarei para os meus filhos um dia, sem mágoas, sem dor, mas com sorrisos.
Parti de uma caixa vermelha, agora fechada, para algo que me parece um eterno conto guardado em uma caixa dourada, e por enquanto, sem tampa.
Espero poder em breve afirma-la como um eterno conto em uma caixa dourada sem tampa.
sábado, 7 de novembro de 2009
"O Meu Amor", por Chico Buarque
"O meu amor tem um jeito manso que é só seu,
E que me deixa louca quando me beija a boca,
a minha pele toda fica arrepiada
e me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada...
O meu amor tem um jeito manso que é só seu,
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
com tantos segredos lindos e indecentes,
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes...
O meu amor tem um jeito manso que é só seu,
Que me deixa maluca, quando me roça a nuca
e quase me machuca com a barba mal feita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas quando ele se deita.
O meu amor tem um jeito manso que é só seu,
De me fazer rodeios, de me beijar os seios,
me beijar o ventre e me deixar em brasa,
Desfruta do meu corpo como se o meu corpo fosse a sua casa.
Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz.
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz..."
---A forma com que o Chico Buarque aborda o erotismo me fascina. E de um jeito lindo e nada vulgar, sou apaixoinada nessa letra.
Não sei como não havia postado isso até hoje!
E que me deixa louca quando me beija a boca,
a minha pele toda fica arrepiada
e me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada...
O meu amor tem um jeito manso que é só seu,
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
com tantos segredos lindos e indecentes,
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes...
O meu amor tem um jeito manso que é só seu,
Que me deixa maluca, quando me roça a nuca
e quase me machuca com a barba mal feita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas quando ele se deita.
O meu amor tem um jeito manso que é só seu,
De me fazer rodeios, de me beijar os seios,
me beijar o ventre e me deixar em brasa,
Desfruta do meu corpo como se o meu corpo fosse a sua casa.
Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz.
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz..."
---A forma com que o Chico Buarque aborda o erotismo me fascina. E de um jeito lindo e nada vulgar, sou apaixoinada nessa letra.
Não sei como não havia postado isso até hoje!
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Metade
"Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe seja linda ainda que tristeza.
Que quem eu amo seja pra sempre amado mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida, mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas, como a única coisa que resta a uma mulher inundada de sentimentos.
Porque metade de mim é o que ouço, mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço.
Que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso, mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que eu me lembro ter dado na infância.
Por que metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria pra me fazer aquietar o espírito
e que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba e que ninguém a tente complicar, porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer.
Porque metade de mim é platéia e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada,
Porque metade de mim é amor... e a outra metade também."
(Oswaldo Montenegro)
Todo Amor que Houver Nessa Vida
"Eu quero a sorte de um amor tranquilo com sabor de fruta mordida,
Nós na batida, no embalo da rede, matando a sede na saliva.
Ser teu pão, ser tua comida, todo amor que houver nessa vida
e algum trocado pra dar garantia.
E ser artista no nosso convívio pelo inferno e céu de todo dia,
pra poesia que a gente não vive, transformar o tédio em melodia.
Ser teu pão, ser tua comida, todo amor que houver nessa vida
e algum veneno antimonotonia.
E se eu achar a tua fonte escondida, te alcanço em cheio, o mel e a ferida
e o corpo inteiro como um furacão, boca, nuca, mão e a tua mente não...
Ser teu pão, ser tua comida, todo amor que houver nessa vida
E algum remédio que me dê alegria."
Nós na batida, no embalo da rede, matando a sede na saliva.
Ser teu pão, ser tua comida, todo amor que houver nessa vida
e algum trocado pra dar garantia.
E ser artista no nosso convívio pelo inferno e céu de todo dia,
pra poesia que a gente não vive, transformar o tédio em melodia.
Ser teu pão, ser tua comida, todo amor que houver nessa vida
e algum veneno antimonotonia.
E se eu achar a tua fonte escondida, te alcanço em cheio, o mel e a ferida
e o corpo inteiro como um furacão, boca, nuca, mão e a tua mente não...
Ser teu pão, ser tua comida, todo amor que houver nessa vida
E algum remédio que me dê alegria."
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